A história do judô em Santa Catarina inicia em 1962, com a chegada
do faixa-preta Kenzo Minami, nascido no Japão
e naturalizado brasileiro. O seu primeiro grupo
de alunos surgiu nos tatames montados na Associação
Atlética Banco do Brasil, e a primeira destacada
participação se deu em 1965 em Curitiba, até
então o único elo para intercâmbio. Neste mesmo
ano, se instava em solo catarinense o também
faixa-preta Kasuo Konishi, oriundo do interior
paulista e que viria a se constituir uma espécie
de “desbravador” de judô em todo Estado. Paralelo
ao trabalho desenvolvido no norte por Minami,
e Oeste (centro e extremo) por Konishi, outros
nomes foram se apresentando e compondo o quadro
dos precursores do judô catarinense: Takehisa,
Ferreira e Sogo na região de Florianópolis,
e Tsuneo Shimazaki em Blumenau. O primeiro encontro
de maior repercussão em nível estadual teve
lugar em Florianópolis no ano de 1969, promovido
por Takehisa e com participação de judocas da
Capital, Brusque, Criciúma, Blumenau e Joinville.
Já como competição de caráter oficial, a primeira
disputa aconteceu nos 12º Jogos Abertos de Santa
Catarina (Rio do Sul 1971). Aliás, sobre a inclusão
do judô nos JASC, vale registrar alguns fatos:
em 1969, durante a realização dos Jogos em Joinville,
o então faixa-azul Roberto David da Graça (Cocada)
sugeriu ao seu mestre Minami a possibilidade
de incluir a modalidade nos JASC, visto que
o número de municípios onde se praticava o judô
já comportava tal disputa. No decorrer de 1970,
Minami e Cocada foram em busca dessa realização,
obtida, enfim, em 1971, com o parecer favorável
do então presidente da CCO dos 12º JASC Augusto
Elling Parcias. Em outubro de 1971, Minami,
Cocada e Boaventura Pereira Nunes Neto (Urso)
lotaram um caminhão da Prefeitura de Joinville
com tatames e se dirigiram a Rio do Sul, montaram
a área de lutas e deram inicio àquela que ainda
hoje é a mais concorrida competição de judô
catarinense.
E as disputas de Rio do Sul foram ainda mais marcantes quando constatamos que
lá foram dados os primeiros passos para a criação
da Federação Catarinense de Judô, inicialmente
com os trabalhos preliminares da dupla Minami/Cocada
e depois com empenho decisivo de Konishi, a
rigor o mentor da FCJ. No plano competitivo
e usando como parâmetro os JASC, a década de
70 foi dominada por Joinville (campeão em 71/76/77/79)
e Blumenau (campeão em 74/75/78). A partir de
1980, o judô catarinense vislumbrou um equilíbrio
maior, inclusive em nível nacional, e mesmo
porque já contava com alguns atletas de renome
oriundos de outros Estados, formando fortes
equipes, como as de Chapecó e Florianópolis
o naipe masculino, e Joaçaba e Timbó, no feminino.
Já nos últimos 10 anos, foi a Capital que, com
raras exceções, manteve a supremacia. A Federação
Catarinense de Judô, fundada em Maio de 1973,
teve como primeiro presidente (até o inicio
de 1977) Mário Correa (de Videira); nos dois
anos seguintes, foi administrada pelo professor
Camilo Moisés Penso (também de Videira); já
a partir de 1979 e pelos 22 anos seguintes foi
Kasuo Konishi que manteve-se no comando do judô
catarinense. Finalmente no dia 18 de junho de
2001, quem assumiu foi Roberto David da Graça,
o qual aliás esteve integrado à entidade desde
a sua fundação, mesmo que durante quase duas
décadas tenha encabeçado oposição ao seu antecessor.
Entre as associações que compõem o quadro de filiados da FCJ, algumas marcaram
época, sobretudo pela estrutura e resultados
obtidos: Associação Joinvilense de Judô (Kenzo
Minami), Associação Videirense de Judô (Kasuo
Konishi), Associação Atlética Tupy, de Joinville
(Roberto David da Graça), Associação de Judô
e Karatê Samurai, de Blumenau (Tsuneo Shimazaki)
e Associação de Judô e Karatê Budokan de Florianópolis
(Shigeru Sogo), compondo o quadro predominante
da década de 70. Sociedade Esportiva e Recreativa
Sadia, de Concórdia (Ladi Julian), Maba Judô
Clube (João Carlos Maba), Clube Recreativo 6
de Janeiro, de Florianópolis (Carlos Alberto
Rocha), Associação Colon de Judô, de Joinville
(Icracir Rosa e Silvio Acácio Borges), Grêmio
Esportivo Comercial, de Joaçaba (Kasuo Konishi),
Associação Desportiva e Recreativa Hering, de
Blumenau (Ademir Schultz), entre outras. Na
ultima década surgiram com destaque maior nas
categorias menores (crianças) agremiações como
Associação Gasparense (Eloi Nivaldo Sur, depois
João Carlos Maba), Clube Escolar Barão do Rio
Branco, de Blumenau (Reinaldo Packer), Associação
Concordiense (Ladi Julian). Nas categorias maiores,
o podium do naipe feminino contou com novas
expressões, como Academia Corpore de Timbó (Luiz
Carlos da Silva) e Joaçaba Esporte Clube (Acácio
Issao Yamaguti), além da S. E. R. Sadia. Já
no masculino apareciam bem a Associação Chapecoense
(Róbson Nunes Silva) e a Associação Itajaiense
(Adides Dimas dos Santos) a partir dos anos
90 até os dias atuais a presença mais poderosa
tem sido a da Associação Desportiva do Instituto
Estadual de Educação, de Florianópolis (Oscar
Cesar Grando) que, mercê de uma invejável estrutura,
conquistou a grande maioria dos títulos de ambos
os naipes, organizou os mais importantes eventos
da modalidade e mantém em seu dojô o maior número
de atletas em formação.
No plano individual, a plêiade de vencedores do judô catarinense iniciou com
Roberto Cocada, campeão do peso leve e absoluto
da primeira disputa da modalidade nos JASC,
seguindo por mais de 10 anos conquistando medalhas
em competições estaduais e interestaduais, além
de iniciar e representatividade estadual em
campeonatos brasileiros. Nos JASC de 1972, em
Itajaí, estreou aquele que durante quase duas
décadas dominaria amplamente os nosso tatames:
João Carlos Maba, judoca de múltiplos predicados
e que não raramente deixava as competições levando
no mínimo duas medalhas de ouro, transformando-se
no referencial maior do nosso judô a nível nacional,
mesmo porque foi o primeiro medalhista catarinense
em campeonatos brasileiros. E a primeira geração
de campeões foi sendo completada com novos expoentes,
como Eloi Nivaldo Sur, quase imbatível na categoria
peso pena. Os anos 80 iniciaram com o marcante
fato da contratação pela Sociedade Esportiva
e Recreativa Perdigão, de Videira, de nada menos
que seis atletas do primeiro escalão do judô
brasileiro, todos de São Paulo: Luis Shinohara
(peso ligeiro), Luiz Onmura (peso meio-leve),
Roberto Machusso (peso meio-médio), Walter Carmona
(peso médio), Carlos Alberto Pacheco (peso meio-pesado)
e Jose Thales (peso pesado). Completada pelos
catarinenses Rudimir Travasso (peso leve) e
Roberto Cocada (técnico), esta equipe conquistou,
em 1981, o 7º torneio interestadual realizado
em Joinville, o Campeonato Estadual, os JASC
e o Campeonato Brasileiro Adulto, além de ser
a base da seleção brasileira que foi ao Campeonato
Mundial. Foi este um ano de ouro para o judô
catarinense... isto nos tatames, porque fora
deles os impasses não foram poucos: ações arbitrárias,
punições, brigas políticas, boicote nos JASC,
etc., culminando enfim com o desmantelamento
da poderosa equipe videirense. Se por um lado
estes fatos refletiram negativamente no contexto
político/administrativo, situação esta que estendeu-se
aos anos seguintes, o judô catarinense manteve-se
em franco desenvolvimento no aspecto técnico,
contando gradativamente com o recurso de um
respeitável grupo de fortes judocas oriundos
de outros centros, a exemplo de campeoníssimos
do quilate de Renildo Nunes, Rinaldo Caggiano,
Róbson Nunes Silva, Fabiano Milano, Fabrício
Cadori, Alexandre Garcia e outros mais. Dentre
os “prata da casa”, novos e grandes nomes foram
somando, a exemplo de Carlos Francis Konishi,
para muitos o mais técnico dos judocas catarinenses
em todos os tempos, cujas atuações enchiam os
olhos dos mais exigentes adeptos da modalidade;
Márcia Aparecida Bernardi, a primeira catarinense
campeã brasileira; Dulcimar Antonio Grando e
Jorge Roberto Sebastião, dupla que proporcionou
memoráveis confrontos que ultrapassaram os próprios
limites da área de combate; Giocélio Alves da
Silva, o mais antigo dos campeões (desde 1979)
ainda em franca atividade; Claudete Vargas,
que invariavelmente buscava (e conseguia) o
ippon nos segundos iniciais de luta; Paulo Sergio
da Silva, com o recorde de nove títulos consecutivos
nos JASC; e tantos outros nomes que bem merecem
constar da galeria dos nossos grandes vencedores.
Na atual safra de campeões, um nome se destaca
sobremaneira: Fabiano Zambonetti, sem dúvidas
o dono das maiores glórias obtidas pelo judô
catarinense.
(Matéria publicada em 10/02/2002)