Quase que paralelamente
ao advento do Cristianismo, surgiu no oriente
o Budismo, cuja doutrina rapidamente se
expandiu por toda a região asiática. Os monges
budistas dos mosteiros do Tibet e do norte da
China desenvolveram técnicas de lutas, as quais
chamaram Kung Fu, tendo como inspiração os gestos dos animais,
os movimentos da natureza e a filosofia do Budismo,
objetivando, em princípio, combater os bandidos
que os importunavam.
Certo dia, num campo
coberto de neve, um velho filósofo observou a
neve que caia em cima de um salgueiro e descobriu
que os galhos grossos, aparentemente fortes, quebravam-se
ao peso da neve acumulada, enquanto que os galhos
mais finos, aparentemente fracos, cediam ao peso
e se reerguiam intactos. Esta é a filosofia da
suavidade e da flexibilidade, ou seja, ceder para
vencer.
O Universo consiste
em duas forças contrárias: In
(negativa) e Yô
(positiva). Deus criou duas coisas opostas, tais
como preto e branco, alto e baixo, forte e fraco,
macho e fêmea. Cada um de nós também possui In (inveja, ódio, maldade, etc.)
e Yô (bondade, solidariedade, amor, etc.), sendo que
aquele que consegue equilibrar e harmonizar In e Yô
pode ser considerado como homem completo e, consequentemente,
difícil de tornar. Quando vier a força positiva,
nunca a enfrente com força positiva, mas sim com
força negativa, para que a mesma se torne nula,
e assim vice-versa, isto é, ação e reação.
A técnica do Kung
Fu se espalhou por toda a Ásia: Na
Coréia tornou-se Taekendô, na Tailândia Miyatai, na Rússia Sambô, em Okinawa (ilha ao sul
do Japão) Karatê
(mão vazia na China, pois antigamente chamava-se
a China de Kara).
O SURGIMENTO DO
JIU JITSU
Naquela época, o
Japão vivia em guerra civil, sendo que em cada
região existia um dono absoluto, que dominava
o local e mantinha a seus serviços vários samurais (guerreiros), que juravam
absoluta fidelidade e obediência (Bushidô) ao seu dono. No campo
de batalha, os samurais muitas vezes perdiam ou
quebravam suas armas, forçando-os então a luta
corpo a corpo, desarmados. Partindo dessa necessidade
é que esses samurais criaram sua própria luta, chamando-a de
Jiu
Jitsu (técnica da flexibilidade), atingindo
enfim o seu objetivo maior: Combater e eliminar
os inimigos no campo de batalha.
Depois dos vários
conflitos internos, surgiram três conquistadores:
Nobunaga Oda, Hideyoshi Toyotami e Ieyasu Tokugawa, sendo que este último, e seus descendentes,
governado por quase 300 anos, isolando o País
do resto do Mundo. Com o término das guerras,
os samurais foram dispensados, pois não
mais se faziam úteis. Daí, como meio de sobrevivência,
cada um desses ex-guerreiros abriu seu dojô (academia) para ensinar
Jiu Jitsu, cujas técnicas se davam de acordo com
as especializações adquiridas nos campos de batalha,
como luxações, estrangulamentos, projeções, imobilizações,
etc., o que resultou em diversos estilos com denominações
próprias.
O MESTRE JIGORO
KANO E O KODOKAN
Por volta de 1800,
o Japão mudou radicalmente, pois foram tantas
as pressões recebidas de outros países, especialmente
do ocidente, que o obrigaram a abrir portas para
o Mundo, cuja época ficou conhecida com Éra Meiji. Daí em diante houve a invasão das coisas
do ocidente, a exemplo do setor esportivo, com
o tênis de campo, o beisebol, entre outras modalidades.
Consequentemente, as práticas tradicionais do
Japão, como Jiu Jitsu e Ken Jitsu (técnica de esgrima), entre outras, começaram
a ser desprezadas. Foi então que o jovem mestre
Jigoro Kano, que havia praticado o Jiu Jitsu (estilo Kitô Ryu), sentiu que essa prática continha grande
valor, contudo, contemplava tão somente os privilegiados
fisicamente. Para que todos pudessem usufruir
dessa técnica, isto é, qualquer pessoa e de ambos
os sexos, Jigoro Kano foi eliminando os golpes mais perigosos
(aqueles que pudessem deixar seqüelas e/ou danos
irreversíveis), aperfeiçoando outros e criando
novos, em especial baseados na lei da física.
Mas, talvez o fato mais marcante nesse trabalho
foi a introdução sistemática de valores educativos,
doutrinários e disciplinares, bem como o desenvolvimento
do autodomínio do corpo e da mente. Estava criado
algo de novo, de mais completo, digno de denominação
própria, e Jigoro Kano o batizou de JUDÔ (caminho da flexibilidade).
Observe-se, então,
que para adotar esse nome, o mestre considerou
tratar-se do “caminho da flexibilidade” e não
somente da “técnica da flexibilidade”. Daí a substituição
do termo Jiu
Jitsu por Judô.
Assim, através da
prática do Judô, cada um procura o verdadeiro caminho para
seguir na vida. E para mostrar como, Jigoro Kano fundou a sua escola, a qual denominou
KODOKAN (escola de ensinamento do caminho), que,
surgida em 1882, perdura até hoje como referência
maior do Judô mundial.
Jigoro Kano não foi um lutador, mas exercia o magistério,
e como tal transmitiu seus conhecimentos àqueles
que seriam os primeiros grandes lutadores da nova
modalidade: Shiro Nango (Sanshiro Sugata), Yoshiaki Yamashita, Sakujiro Yokoyama e Kosei Maeda (que trouxe o Judô para o Brasil, sendo aqui conhecido como Conde Coma), entre outros, os quais disputaram com
lutadores de Jiu Jitsu vagas na cadeira de ataque e defesa da
Academia Nacional de Polícia do Japão, saindo
todos vitoriosos. E foi esse episódio que determinou
o desaparecimento do Jiu Jitsu no Japão.
Vale ressaltar, a
bem da verdade, que o Jiu
Jitsu hoje praticado não se trata da
“técnica da flexibilidade” original aqui mencionada,
sendo esta, a atual prática, uma versão criada
no Brasil pela família Grace.
Os lemas de ensinamento
do Kodokan são Seiryoku Zenyô (utilização eficaz da força física
e mental) e Jita Kyouei (desenvolvimento mútuo). No início da
década de 40, quando o Japão estava na 2ª. Guerra
Mundial, os seus militares criaram outra sociedade
de artes marciais, a qual chamaram de Butoku Kai (sociedade de artes marciais), visando
incentivar e estimular o espírito militarista
para a guerra. Ao término do conflito, o exército
norte-americano ocupou o Japão, proibiu todas
as práticas de lutas marciais, pois poderiam reascender
o espírito de combate dos japoneses. Mas, aos
poucos foram descobrindo que os ensinamentos do
Kodokan tinham conteúdo essencialmente pacíficos
e democráticos, o que enfim resultou na permissão
para a sua prática. E a partir daí, o desenvolvimento
desta criação de Jigoro
Kano foi ganhando conotação cada vez
mais abrangente, agora já a nível internacional,
tanto que em 1964, nos Jogos de Tokyo, o Judô
tornou-se esporte olímpico.
Hoje, a nível mundial,
o Kodokan
permanece como centro de excelência, enquanto
a International
Judô Federation, atualmente sediada
na Hungria, é a entidade dirigente da modalidade.
No Brasil, é a Confederação Brasileira de Judô
a entidade maior, enquanto suas filiadas (federações)
estão presentes em todos os 27 estados. No âmbito
de Santa Catarina, é a Federação Catarinense de
Judô a entidade oficial dirigente da modalidade.
*Kenzo
Minami nasceu na cidade de Niygata-ken, Japão,
em 28 de setembro de 1937. Já como Faixa Preta
4º. Grau, do Kodokan, e formado em Economia, desembarcou
na Capital paulista no ano de 1960. Em 1961 veio
para Curitiba-PR e, finalmente, em 1962 chegou
a Santa Catarina, se fixando em Joinville, onde
iniciou o trabalho a que se propunha, isto é,
ensinar o Judô neste Estado. Logo em seguida,
o pioneiro do Judô catarinense naturalizou-se
brasileiro. Há cinco anos, Kenzo Minami foi homenageado
pela FCJ com o 6º Dan, homologado pela Confederação
Brasileira de Judô no dia 13 de dezembro de 2003.
Hoje, aos 71 anos de idade, aposentado, Minami
ainda reside em Joinville, e regularmente veste
o judogui para treinar com seu neto e, em ocasiões
especiais, mostrar - mesmo aos mais graduados
mestres do Judô catarinense - o verdadeiro “caminho
da flexibilidade”.
Para
contar a trajetória do Judô em Santa
Catarina, optamos, neste primeiro momento, pela
transcrição da matéria publicada
no encarte especial Memórias do Esporte
Catarinense, do Jornal A Notícia, edição
de 10/2/2002.
A
história do judô em Santa Catarina inicia
em 1962, com a chegada do faixa-preta Kenzo
Minami, nascido no Japão e naturalizado brasileiro.
O seu primeiro grupo de alunos surgiu nos tatames
montados na Associação Atlética Banco do Brasil,
e a primeira destacada participação se deu em
1965 em Curitiba, até então o único elo para
intercâmbio. Neste mesmo ano, se instava em
solo catarinense o também faixa-preta Kasuo
Konishi, oriundo do interior paulista e que
viria a se constituir uma espécie de “desbravador”
de judô em todo Estado. Paralelo ao trabalho
desenvolvido no norte por Minami, e Oeste (centro
e extremo) por Konishi, outros nomes foram se
apresentando e compondo o quadro dos precursores
do judô catarinense: Takehisa, Ferreira
e Sogo na região de Florianópolis, e Tsuneo
Shimazaki em Blumenau. O primeiro encontro de
maior repercussão em nível estadual teve lugar
em Florianópolis no ano de 1969, promovido por
Takehisa e com participação de judocas da Capital,
Brusque, Criciúma, Blumenau e Joinville. Já
como competição de caráter oficial, a primeira
disputa aconteceu nos 12º Jogos Abertos de Santa
Catarina (Rio do Sul 1971). Aliás, sobre a inclusão
do judô nos JASC, vale registrar alguns
fatos: em 1969, durante a realização dos Jogos
em Joinville, o então faixa-azul Roberto David
da Graça (Cocada) sugeriu ao seu mestre Minami
a possibilidade de incluir a modalidade nos
JASC, visto que o número de municípios onde
se praticava o judô já comportava tal
disputa. No decorrer de 1970, Minami e Cocada
foram em busca dessa realização, obtida, enfim,
em 1971, com o parecer favorável do então presidente
da CCO dos 12º JASC Augusto Elling Parcias.
Em outubro de 1971, Minami, Cocada e Boaventura
Pereira Nunes Neto (Urso) lotaram um caminhão
da Prefeitura de Joinville com tatames e se
dirigiram a Rio do Sul, montaram a área de lutas
e deram inicio àquela que ainda hoje é a mais
concorrida competição de judô catarinense.
E
as disputas de Rio do Sul foram ainda mais marcantes
quando constatamos que lá foram dados os primeiros
passos para a criação da Federação Catarinense
de Judô, inicialmente com os trabalhos
preliminares da dupla Minami/Cocada e depois
com empenho decisivo de Konishi, a rigor o mentor
da FCJ. No plano competitivo e usando como parâmetro
os JASC, a década de 70 foi dominada por Joinville
(campeão em 71/76/77/79) e Blumenau (campeão
em 74/75/78). A partir de 1980, o judô
catarinense vislumbrou um equilíbrio maior,
inclusive em nível nacional, e mesmo porque
já contava com alguns atletas de renome oriundos
de outros Estados, formando fortes equipes,
como as de Chapecó e Florianópolis o naipe masculino,
e Joaçaba e Timbó, no feminino. Já nos últimos
10 anos, foi a Capital que, com raras exceções,
manteve a supremacia. A Federação Catarinense
de Judô, fundada em Maio de 1973, teve
como primeiro presidente (até o inicio de 1977)
Mário Correa (de Videira); nos dois anos seguintes,
foi administrada pelo professor Camilo Moisés
Penso (também de Videira); já a partir de 1979
e pelos 22 anos seguintes foi Kasuo Konishi
que manteve-se no comando do judô catarinense.
Finalmente no dia 18 de junho de 2001, quem
assumiu foi Roberto David da Graça, o qual aliás
esteve integrado à entidade desde a sua fundação,
mesmo que durante quase duas décadas tenha encabeçado
oposição ao seu antecessor.
Entre
as associações que compõem o quadro de filiados
da FCJ, algumas marcaram época, sobretudo pela
estrutura e resultados obtidos: Associação Joinvilense
de Judô (Kenzo Minami), Associação Videirense
de Judô (Kasuo Konishi), Associação Atlética
Tupy, de Joinville (Roberto David da Graça),
Associação de Judô e Karatê Samurai, de
Blumenau (Tsuneo Shimazaki) e Associação de
Judô e Karatê Budokan de Florianópolis
(Shigeru Sogo), compondo o quadro predominante
da década de 70. Sociedade Esportiva e Recreativa
Sadia, de Concórdia (Ladi Julian), Maba Judô
Clube (João Carlos Maba), Clube Recreativo 6
de Janeiro, de Florianópolis (Carlos Alberto
Rocha), Associação Colon de Judô, de Joinville
(Icracir Rosa e Silvio Acácio Borges), Grêmio
Esportivo Comercial, de Joaçaba (Kasuo Konishi),
Associação Desportiva e Recreativa Hering, de
Blumenau (Ademir Schultz), entre outras. Na
ultima década surgiram com destaque maior nas
categorias menores (crianças) agremiações como
Associação Gasparense (Eloi Nivaldo Sur, depois
João Carlos Maba), Clube Escolar Barão do Rio
Branco, de Blumenau (Reinaldo Packer), Associação
Concordiense (Ladi Julian). Nas categorias maiores,
o podium do naipe feminino contou com novas
expressões, como Academia Corpore de Timbó (Luiz
Carlos da Silva) e Joaçaba Esporte Clube (Acácio
Issao Yamaguti), além da S. E. R. Sadia. Já
no masculino apareciam bem a Associação Chapecoense
(Róbson Nunes Silva) e a Associação Itajaiense
(Adides Dimas dos Santos) a partir dos anos
90 até os dias atuais a presença mais poderosa
tem sido a da Associação Desportiva do Instituto
Estadual de Educação, de Florianópolis (Oscar
Cesar Grando) que, mercê de uma invejável estrutura,
conquistou a grande maioria dos títulos de ambos
os naipes, organizou os mais importantes eventos
da modalidade e mantém em seu dojô o maior número
de atletas em formação.
No
plano individual, a plêiade de vencedores do
judô catarinense iniciou com Roberto Cocada,
campeão do peso leve e absoluto da primeira
disputa da modalidade nos JASC, seguindo por
mais de 10 anos conquistando medalhas em competições
estaduais e interestaduais, além de iniciar
e representatividade estadual em campeonatos
brasileiros. Nos JASC de 1972, em Itajaí, estreou
aquele que durante quase duas décadas dominaria
amplamente os nosso tatames: João Carlos Maba,
judoca de múltiplos predicados e que não raramente
deixava as competições levando no mínimo duas
medalhas de ouro, transformando-se no referencial
maior do nosso judô a nível nacional,
mesmo porque foi o primeiro medalhista catarinense
em campeonatos brasileiros. E a primeira geração
de campeões foi sendo completada com novos expoentes,
como Eloi Nivaldo Sur, quase imbatível na categoria
peso pena. Os anos 80 iniciaram com o marcante
fato da contratação pela Sociedade Esportiva
e Recreativa Perdigão, de Videira, de nada menos
que seis atletas do primeiro escalão do judô
brasileiro, todos de São Paulo: Luis Shinohara
(peso ligeiro), Luiz Onmura (peso meio-leve),
Roberto Machusso (peso meio-médio), Walter Carmona
(peso médio), Carlos Alberto Pacheco (peso meio-pesado)
e Jose Thales (peso pesado). Completada pelos
catarinenses Rudimir Travasso (peso leve) e
Roberto Cocada (técnico), esta equipe conquistou,
em 1981, o 7º torneio interestadual realizado
em Joinville, o Campeonato Estadual, os JASC
e o Campeonato Brasileiro Adulto, além de ser
a base da seleção brasileira que foi ao Campeonato
Mundial. Foi este um ano de ouro para o judô
catarinense... isto nos tatames, porque fora
deles os impasses não foram poucos: ações arbitrárias,
punições, brigas políticas, boicote nos JASC,
etc., culminando enfim com o desmantelamento
da poderosa equipe videirense. Se por um lado
estes fatos refletiram negativamente no contexto
político/administrativo, situação esta que estendeu-se
aos anos seguintes, o judô catarinense
manteve-se em franco desenvolvimento no aspecto
técnico, contando gradativamente com o recurso
de um respeitável grupo de fortes judocas oriundos
de outros centros, a exemplo de campeoníssimos
do quilate de Renildo Nunes, Rinaldo Caggiano,
Róbson Nunes Silva, Fabiano Milano, Fabrício
Cadori, Alexandre Garcia e outros mais. Dentre
os “prata da casa”, novos e grandes nomes foram
somando, a exemplo de Carlos Francis Konishi,
para muitos o mais técnico dos judocas catarinenses
em todos os tempos, cujas atuações enchiam os
olhos dos mais exigentes adeptos da modalidade;
Márcia Aparecida Bernardi, a primeira catarinense
campeã brasileira; Dulcimar Antonio Grando e
Jorge Roberto Sebastião, dupla que proporcionou
memoráveis confrontos que ultrapassaram os próprios
limites da área de combate; Giocélio Alves da
Silva, o mais antigo dos campeões (desde 1979)
ainda em franca atividade; Claudete Vargas,
que invariavelmente buscava (e conseguia) o
ippon nos segundos iniciais de luta; Paulo Sergio
da Silva, com o recorde de nove títulos consecutivos
nos JASC; e tantos outros nomes que bem merecem
constar da galeria dos nossos grandes vencedores.
Na atual safra de campeões, um nome se destaca
sobremaneira: Fabiano Zambonetti, sem dúvidas
o dono das maiores glórias obtidas pelo judô
catarinense.
Dentro
de alguns dias estaremos novamente diante do maior
encontro poliesportivo do Estado: Os Jogos Abertos
de Santa Catarina. Também é esse
o momento em que estaremos vivendo o clima daquela
que continua se constituindo na mais concorrida
disputa de Judô a nível estadual.
Mas,
vejamos como tudo começou: Lá longe,
em 1969, por ocasião dos JASC realizados
em Joinville, um “bate papo” informal
entre o Professor Kenzo Minami e seu “pupilo”
Roberto David da Graça (o Cocada) acabou
gerando a idéia de incluir o Judô
na competição. E esse ideal foi
amadurecendo de forma que ao final do ano seguinte,
ambos, professor e aluno, foram conversar com
o Sr. Augusto Elling Parcias, então Presidente
da CCO dos 12º JASC. Pronto, o sonho estava
se concretizando.
Dia 15/10/71, uma sexta-feira, Cocada e seu companheiro
Boaventura Pereira Nunes Neto (o Urso), embarcaram
num caminhão caçamba carregado de
tatamis e seguiram para Rio do Sul. Em lá
chegando e sob o comando do Prof. Minami, distribuíram
as peças sobre uma plataforma de madeira
especialmente montada para tanto. Em 16/10/71
(sábado), aí pelas 19:00 horas,
Urso e Cocada, de quimono e sandálias,
se colocaram junto a porta de acesso ao ginásio
(a rigor um modesto galpão) e iniciaram
a distribuição de panfletos explicativos
do evento. Às 20:00 horas começava
efetivamente o Judô nos JASC... e lá
estavam novamente Cocada e Urso, agora lutando,
enquanto Minami fazia as vezes de comandante geral
da modalidade. Na arbitragem: Kenjiro Hironaka
(de Curitiba, hoje residindo no Japão),
Kasuo Konishi (então Professor em Videira)
e Tsuneo Shimazaki (Professor em Blumenau).
É, foi assim que começou a mais
empolgante das nossas competições
de Judô.
Ah! O panfleto. Clique
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